Confederação Maçônica manifesta luto no caso do Museu Nacional

A Maçonaria, agregada na Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil (CMSB), que irmana as Grandes Lojas nos Estados, também está em luto, sofrendo, em sua alma institucional, ao lado da sociedade brasileira, as consequências do incêndio que abateu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, no domingo, dia 2 de setembro. Os maçons, integrados a esse sentimento de perda irreparável, todavia, têm como princípio a construção de templos valiosos como esse. E é com esse espírito que a sociedade maçônica levanta a sua voz, sem deixar de ser serena, neste tempo de tristeza, para preconizar a reconstrução, no que for possível, deste símbolo que retratava a própria existência da Nação.

As críticas, com razão, sabedoria e justiça, são sentidas em todas as dimensões e, evidentemente, jamais se pretenderá combatê-las. Ao contrário, nos associamos a elas nos graus da urbanidade, com vistas ao labor para um ressurgimento material e imaterial desse patrimônio nacional. De certo que não se vislumbra nada parecido com a fênix, ave secular que, depois de queimada, renascia das próprias cinzas, mas que dessa fábula saiam lições positivas a que outros acervos não tenham o mesmo destino.

O descaso, a incompetência, a desídia, a incúria que, ao que se tem presente, ocorreram em algum grau sirvam de motivação para que a culpa dos responsáveis sirva de exemplo no panteão da História. Afinal, um patrimônio de 200 anos, com 20 milhões de itens, foi consumido pelo fogo em apenas seis horas, tempo que os bombeiros levaram para controlá-lo. Aliás, as falhas foram potencializadas, no dizer dos bombeiros, como foi noticiado, pela dificuldade no abastecimento de água para combater as chamas. Por si só essa notícia já denuncia a despreocupação das autoridades em torno do que dizem boas fontes de que essa era uma “tragédia anunciada”.

Sobre isso há até um marco, conforme registros jornalísticos. Desde 2014, a instituição mantenedora do Museu Nacional deixou de receber R$ 520 mil anuais para ações de manutenção básica do palacete que foi morada de Dom João VI, local de assinatura da Independência do Brasil por Dom Pedro I, além de maternidade de Dom Pedro II.

Quanto ao mais eram esperados R$ 21,7 milhões para dar ao Museu Nacional existência nova a ponto de permitir que a visitação pública não ficasse restrita a um número ínfimo dos 20 milhões de itens existentes como ocorria até o incêndio. Tratava-se de um museu público, mas potencializava o interesse acadêmico e científico. Essa é mais uma régua que pode dar largura à perda registrada.

Diante de tudo o que é notório e sabido, a CMSB reafirma o seu lamento e conclama à sociedade maçônica e à sociedade em geral no sentido de que sejam feitos esforços para uma nova edificação material e mesmo imaterial no contexto dos valores inestimáveis do conhecimento, além de ações firmes no sentido de que outras tragédias não venham a ser registradas.